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  • Ensaio Pictórico de Lesões Mamárias Incomuns

    Este trabalho conquistou o 1º lugar na especialidade Mama da XVI Jornada Gaúcha de Radiologia, realizada de 15 a 17 de agosto de 2003, em Gramado/RS.

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    Autores
    Dr. Rogério Dias Duarte
    Dra. Heloise Zanelatto Neves
    Dr. RÊnio M. Carvalho
    Dr. Dakir L.Duarte Filho
    Dr. Dakir L.Duarte

    Introdução
    As lesões mamárias incomuns podem representar um desafio diagnóstico, sendo importante para o radiologista estar familiarizado com o seu aspecto radiológico. Estas lesões incluem doença sistêmica (doença vascular do colágeno, vasculite, hiperparatireoidismo), tumores benignos ( hamartoma, fibromatose, tumor de células granulares e tumor filóide), doença maligna (linfoma, sarcoma, carcinosarcoma, carcinoma adenóide cístico) ou doença metastática (melanoma, linfoma, sarcoma, carcinoma do pulmão , estômago, ovário e células renais), entre outras.

    Objetivo
    Demonstrar os aspectos radiológicos característicos das principais lesões mamárias incomuns

    Material e Método
    Foram analizados retrospectivamente casos incomuns de lesões mamárias com e sem manifestação clínica, entre os quais hamartoma, lipoma retromamário, tumor filóide benigno e maligno, fibroadenoma atípico, ectasia ductal gigante, doença de Mondor, rabdomiossarcoma e linfoma. Realizamos em alguns destes casos mamografia, ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética e investigação histológica.

    Discussão
    Tumores Benignos:
    • Hamartoma: é uma proliferação benigna de tecido fibroso, glandular e gorduroso. Seu aspecto mamográfico típico é de um nódulo redondo ou ovóide, bem circunscrito com densidade de tecidos moles e gordura, envolvido por uma fina pseudocápsula. Ecograficamente aparece como um nódulo heterogêneo, hipoecóico e/ou hiperecóico, ovóide ou como tecido glandular normal.
    A ecogenicidade do hamartoma será determinada pela quantidade de tecido predominante, se houver mais tecido gorduroso, o mesmo será mais hipoecóico, mais tecido fibroglandular, determinará hiperecogenicidade. (fig 1).

    • Tumor Filóide: é um tumor raro (0,3%) de origem fibroepitelial, comumente manifestado por nódulo de crescimento rápido em mulheres de 30 a 50 anos, podendo ser benigno ou maligno, este último mais freqüente em mulheres de idade avançada. À mamografia aparece como nódulo, ovóide ou lobulado, bem circunscrito, semelhante ao fibroadenoma, porém com maiores dimensões. Seu aspecto ecográfico típico é de um nódulo sólido, hipoecóico, não homogêneo e bem circunscrito, podendo conter áreas císticas, que são altamente sugestivas. É muitas vezes indistinguível do fibroadenoma e não é possível diferenciar entre lesões benignas ou malignas (fig 2 e 3).

    • Lipoma: geralmente assintomático e unilateral. Pode manifestar-se como nódulo palpável móvel. Seu padrão mamográfico é de um nódulo hipodenso, apresentando uma cápsula de tecido fibroso. À ecografia apresenta-se como nódulo bem delimitado hipoecóico (mamas densas) ou hiperecóico quando se localiza superficialmente no tecido adiposo subcutâneo (fig 4 e 5). DOENÇA DE MONDOR:descrita em 1959 por Henri Mondor, é uma tromboflebite de veia mamária, originando um cordão fibroso, às vezes em forma de contas de rosário, podendo ser assintomática ou causar dor. Em nossa casuística observamos 4/100000 (casos/mamografias). O padrão mamográfico é de uma estrutura tubular densa, que à ecografia mostra-se superficial e hipoecóica (fig 6).

    • Sindrome de Poland: descrito em 1841, como ausência do músculo peitoral. Atinge uma em cada 36.000 a 50.000 mulheres. Hipoplasia mamária é comum nesta síndrome, assim como anormalidades do esqueleto torácico. Causa ainda desconhecida. Em nossa casuística observamos 2/100000 (casos/mamografias). CT e/ou US são necessários para confirmar ausência do músculo peitoral.
    (Fig 7).

    • Fibroadenoma Atípico: a mamografia da mama direita mostrou em QSE, um grupo de microcalcificações compactas, heterogêneas e irregulares, suspeitas e classificada como BI-RADS 4. Foi realizada biópsia destas microcalcificações cujo resultado foi de fibroadenoma calcificado (fig 8).

    • Ectasia Ductal Gigante: a ductografia percutânea mostrou a presença de ductos dilatados, com defeito de enchimento que à ecografia corresponde a estruturas tubulares anecóicas com ecos internos com material viscoso à punção(fig 9).

    Tumores Malignos Primários:
    • Rabdomiossarcoma: raramente ocorrem como tumores malignos primários, representando 0,7% de todas as lesões malignas da mama. Aparecem na mamografia como nódulos grandes, hiperdensos e com margens bem definidas (fig 10).

    • Linfoma: raramente ocorrem como tumor primário na mama, representando 0,1% a 0,5% de todos os tumores malignos da mama, sendo mais freqüente os linfomas não-Hodgkin . Seu aspecto mamográfico é de um ou mais nódulos com margens circunscritas ou espiculadas, densidade assimétrica ou até mesmo como espessamento cutâneo. À ecografia apresentam-se como nódulos sólidos, únicos ou múltiplos, hiperecóicos, com margens bem definidas ou indistintas. As linfonodomegalias axilares, quando presentes, ajudam no diagnóstico (fig 11).

    Conclusão
    Ainda que a avaliação histológica seja necessária na maioria das vezes para o diagnóstico definitivo de lesões mamárias incomuns, os métodos de imagem demonstraram ser úteis na detecção, caracterização e inclusive na elaboração diagnóstica destas lesões.

    Bibliografia
    Philpotts, L E, Shaheen, N. A, Jain, K. S, Carter, D, Lee, C H. Uncommon High-Risk Lesions of the Breast Diagnosed at Stereotactic Core-Needle Biopsy: clinical importance. Radiology, 2000, 216: 831-837.

    Feder, JM, Paredes, E S, Hogge, JP, Wilken, JJ. Unusual Breast Lesions: radiologic-pathologic correlation. RadioGraphics, 1999, 19: 11-26.

    Kopans, DB. Breast imaging. Lippincott-Raven: Philadelphia PA, 2nd ed, 1997.

    Bland, KI., Copeland, E.M. The breast. W. B. Saunders Company: Philandelphia PH, 1991.

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